Farfetch: Luxo e Riqueza pela Internet

Com um modelo de negócios inovador e faro aguçado para o que está na moda, a Farfetch desbrava o comércio eletrônico — e abre um novo canal para grifes brasileiras.

No mundo da moda, o que importa nas cerimônias de premiação acontece do lado de fora dos teatros e auditórios: é no tapete vermelho que os estilistas têm a chance de mostrar suas criações no corpo das estrelas mais famosas do mundo. Os vestidos desfilados diante das câmeras servirão de assunto para intermináveis discussões em programas de TV, jornais, revistas e blogs.

Na recente festa de entrega do MTV Movie Awards, não foi diferente. Mas quem leu sobre Mila Kunis encontrou um link interessante em alguns sites especializados: onde comprar o vestido (preto e soltinho, desenhado pelo estilista Thakoon para acomodar a barriguinha que ela já exibe da filha que vai ter com Ashton Kutcher).

O link apontava para a Farfetch, loja virtual que representa a nova fronteira em um mercado que resiste a crises, cresce rapidamente no mundo inteiro e pode ser uma oportunidade única para a indústria de moda brasileira no exterior.

A Farfetch foi lançada em outubro de 2008, no início da crise mundial causada pela bolha imobiliária dos Estados Unidos, por José Neves, empreendedor português baseado em Londres.

O timing não poderia ser pior, mas Neves desde o princípio orientou o negócio para atender os consumidores das marcas mais exclusivas do mundo — e, como costumam dizer os que lidam com o mercado de luxo, nesse segmento não há crise.

Podia ser verdade ou pensamento positivo, mas a Farfetch cresceu de maneira espetacular enquanto os países mais ricos do mundo entravam na pior crise em um século. A empresa deve vender 340 milhões de dólares neste ano, quase o dobro de 2013.

O valor reflete as transações feitas no site — a Farfetch fica com uma porcentagem a título de comissão e serviço. A Farfetch está mais próxima de uma plataforma de transações, como um eBay ou um MercadoLivre, do que de uma pura loja virtual, como a Amazon, mas as coisas são um pouco mais complicadas do que isso.

Não são as lojas que escolhem vender pela Far­fetch, mas o contrário. “Fazemos uma seleção muito rigorosa de quem vende pela Farfetch”, diz Neves. “Temos uma equipe de 12 pessoas responsáveis somente por fazer essa seleção.”

Escolhida a loja, a Farfetch cuida do restante: produz as fotos e as páginas de apresentação dos produtos, cuida dos pagamentos e organiza a entrega para o comprador. A ideia é que, sem sair de casa, o consumidor faça uma viagem pelo mundo da moda.

Viagem é uma palavra apropriada, pois 300 lojas de 26 países vendem pela Farfetch. Já os clientes estão espalhados por todo o mundo, inclusive no Brasil. Os americanos são os maiores compradores, seguidos pelos britânicos e, em terceiro lugar, pelos brasileiros. Com uma equipe de 60 pessoas em São Paulo, a empresa consegue entregar em qualquer ponto do país em sete dias úteis.

Os preços, naturalmente, incluem o custo Brasil: um tênis Givenchy, que custa 630 dólares na Barneys, uma das lojas mais famosas de Nova York, sai por 2 940 reais pelo site da Farfetch. “Minha maior concorrente é a TAM”, afirma Neves, rindo — mas falando muito sério.

A vantagem que a empresa tem sobre as viagens de compras dos brasileiros é a rapidez na resposta. “O cliente quer a peça da coleção que está na loja hoje”, diz Neves. “Se ele for para o exterior daqui a três meses, não vai mais encontrá-la.”

A Farfetch vai anunciar no fim de abril um acordo com estilistas brasileiros que pode significar um ótimo impulso para as grifes brasileiras no exterior. Um programa chamado Destination Brazil vai levar as criações de 16 marcas, como Juliana Jabour e Emanuelle Junqueira, para clientes da Farfetch em 144 países.

“Vamos poder divulgar nossa marca para os exigentes consumidores de moda nos cinco continentes”, diz Oskar Metsavaht, fundador da Osklen, uma das marcas que fazem parte do projeto. 

A Farfetch é uma das marcas mais reconhecidas do comércio online de luxo pessoal, um mercado que cresceu 28% em 2013, de acordo com um levantamento realizado pela consultoria americana Bain. Em larga medida, o segmento de luxo mantém o padrão do comércio eletrônico como um todo: altos índices de crescimento, mas tamanho ainda reduzido e baixas taxas de retorno.

Para resumir uma longa discussão, no ano passado a Amazon, maior varejista online, registrou um lucro de 274 milhões de dólares (com uma margem de 0,9%), enquanto a rede Walmart obteve 17 bilhões de dólares (com uma margem de 3,4%).

Neves acredita que, por lidar com itens que têm demanda imediata (com as temporadas e as coleções dos estilistas), seu negócio pode se firmar como uma exceção no varejo eletrônico. A empresa deu lucro dois anos depois de aberta e, com isso, atraiu 45 milhões de dólares em investimentos.

Entre seus investidores está a Condé Nast, editora da revista de moda Vogue. Com o capital, o objetivo principal é primeiro crescer, depois concentrar-se no resultado. A Farfetch, não resta dúvida, está na moda.

Fonte: http://exame.abril.com.br/

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